quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
domingo, 1 de Novembro de 2009
sexta-feira, 28 de Agosto de 2009
A Esperança Está Onde Menos Se Espera.
Tive recentemente o "prazer" de ver o trailer do novo filme do realizador português Joaquim Leitão, chamado A Esperança Está Onde Menos Se Espera. Para perceberem melhor ao que me refiro, façam o favor de ver o dito trailer aqui:
Para além do argumento fraco (pelas poucas falas do trailer já deu para perceber que os diálogos são risíveis; por exemplo: "Tu és um teimoso, pá. Tu tens que sair daqui, pá. Tu não podes estar aqui, pá."), posso apontar mais umas coisas giras:
O narrador diz "Um filme emocionante e divertido. Uma história diferente e actual.".
Hm... Deixa ver por onde começar. "Uma história diferente". Claro. Nunca se viu na história do cinema um filme sobre um adolescente com problemas familiares num liceu onde não se integra. Nunca se viu um filme sobre um branco num mundo de pretos. Oh sim, este filme é mesmo diferente. E actual também! Não é que as escolas "problemáticas" só têm alunos negros? Não é que quem é branco é beto?
Isto tudo para me queixar de duas coisas (e parece que tudo aquilo que eu faço ultimamente é queixar-me...).
1) Falta de qualidade do cinema nacional. Porque é que 99% dos filmes portugueses são ou a) Uma hora e meia de diálogos sofridos que são só desculpas para se poder ver cenas de sexo e "gajas boas" ou b) Clichés pegados do início ao fim? Tirando o eventual filme bom, com cabeça, tronco, membros, bons actores, histórias originais, bom argumento, que aparece de 10 em 10 anos (ver Alice), todo o santo filme português que estreia e tem sucesso é extremamente manhoso.
2) A perpetuação do raio do estereótipo do "miúdo branco, boa escola, boas notas, felicidade" e do "miúdo preto, violência, bairros sociais". Vivemos numa suposta sociedade igual, e filmes destes não traduzem a realidade dos nossos dias. Pode ser mais fácil para algumas mentes simplistas pensar que é assim que o mundo é, mas a verdade é que essa visão já não é verdadeira (se é que alguma vez foi). Filmes destes estimulam e perpetuam a ignorância. Alimentam estereótipos e clichés a pessoas que, infelizmente, os absorvem passivamente. E depois ainda se queixam de haver crimes de ódio racial. Num mundo em que já o presidente da (única) superpotência mundial é negro, Portugal ainda acredita que os pretos são uns coitadinhos de bairro social, miúdos problemáticos que andam nas "más escolas". E é por isso que, na minha opinião, Joaquim Leitão devia ter mais cuidado com os filmes que faz. E, numa nota mais pessoal, pedia a este realizador e a outros (*cof* João Botelho, António-Pedro Vasconcelos, Carlos Coelho da Silva *cof*) para se afastarem e deixarem os portugueses com talento terem o seu lugar ao Sol.
Para além do argumento fraco (pelas poucas falas do trailer já deu para perceber que os diálogos são risíveis; por exemplo: "Tu és um teimoso, pá. Tu tens que sair daqui, pá. Tu não podes estar aqui, pá."), posso apontar mais umas coisas giras:
O narrador diz "Um filme emocionante e divertido. Uma história diferente e actual.".
Hm... Deixa ver por onde começar. "Uma história diferente". Claro. Nunca se viu na história do cinema um filme sobre um adolescente com problemas familiares num liceu onde não se integra. Nunca se viu um filme sobre um branco num mundo de pretos. Oh sim, este filme é mesmo diferente. E actual também! Não é que as escolas "problemáticas" só têm alunos negros? Não é que quem é branco é beto?
Isto tudo para me queixar de duas coisas (e parece que tudo aquilo que eu faço ultimamente é queixar-me...).
1) Falta de qualidade do cinema nacional. Porque é que 99% dos filmes portugueses são ou a) Uma hora e meia de diálogos sofridos que são só desculpas para se poder ver cenas de sexo e "gajas boas" ou b) Clichés pegados do início ao fim? Tirando o eventual filme bom, com cabeça, tronco, membros, bons actores, histórias originais, bom argumento, que aparece de 10 em 10 anos (ver Alice), todo o santo filme português que estreia e tem sucesso é extremamente manhoso.
2) A perpetuação do raio do estereótipo do "miúdo branco, boa escola, boas notas, felicidade" e do "miúdo preto, violência, bairros sociais". Vivemos numa suposta sociedade igual, e filmes destes não traduzem a realidade dos nossos dias. Pode ser mais fácil para algumas mentes simplistas pensar que é assim que o mundo é, mas a verdade é que essa visão já não é verdadeira (se é que alguma vez foi). Filmes destes estimulam e perpetuam a ignorância. Alimentam estereótipos e clichés a pessoas que, infelizmente, os absorvem passivamente. E depois ainda se queixam de haver crimes de ódio racial. Num mundo em que já o presidente da (única) superpotência mundial é negro, Portugal ainda acredita que os pretos são uns coitadinhos de bairro social, miúdos problemáticos que andam nas "más escolas". E é por isso que, na minha opinião, Joaquim Leitão devia ter mais cuidado com os filmes que faz. E, numa nota mais pessoal, pedia a este realizador e a outros (*cof* João Botelho, António-Pedro Vasconcelos, Carlos Coelho da Silva *cof*) para se afastarem e deixarem os portugueses com talento terem o seu lugar ao Sol.
quarta-feira, 5 de Agosto de 2009
Update
Caros leitores,
venho por este meio dar-vos um pequeno update das minhas "promessas" de início de ano. Como podem ver uns quantos posts mais abaixo, isto foi o que eu escrevi:
"Este é o ano que muda a minha vida. Decidi! Este é o ano em que todo o meu potencial se cumpre. Não é uma decisão que eu faça todos os anos, até porque não sou grande fã de resoluções de ano novo, mas desta vez decidi que este ano vai ser o melhor de sempre. Razões? Quem precisa delas? Sempre olhei o ano novo por uma lupa negativista e pessimista, e nada de bom veio disso. Por isso, este ano decidi enfrentar o touro de frente, de cabeça erguida. Mudei de estratégia. Este é o meu ano. Este é o ano em que acabo o guião. Este é o ano em que entro em Medicina. Este é o ano em que tiro o sacana do 16 a Físico-Química e o 17 a Matemática. Este é o ano em que lhe digo o que me vai na cabeça. Este é o ano em que cumpro a minha promessa. Este É o ano. Se calhar estou a ser irrealista, mas pouco me importa. Se nada acontecer este ano, há sempre o próximo."
Portanto, vamos lá ver. Acabar o guião: nope. Entrar em Medicina: a confirmar dia 14 de Setembro, mas em princípio check (edit - CHECK mesmo :D). 16 a Físico-Química: check! (tive 18). 17 a Matemática: check! (tive 18). Dizer-lhe o que me vai na cabeça: nope (e já nem quero). Cumprir a minha promessa: nope (não há promessa, afinal). Resumindo, este ano está-me a ser simpático no foro profissional, e menos no emocional. Pesando tudo, e tendo em conta que faltam praticamente 5 meses para 2010, devo dizer que me está a correr tudo pelo melhor!
Ah, e outra novidade. Sou co-autora no blog O Que Dizes É Música, sítio de desabafos e críticas musicais. Conhecendo-me como me conhecem, sabem que os meus primeiros três posts hão-de ser sobre Final Fantasy, Beirut e Andrew Bird. E a seguir a esses só o futuro o sabe!
Peace out!
venho por este meio dar-vos um pequeno update das minhas "promessas" de início de ano. Como podem ver uns quantos posts mais abaixo, isto foi o que eu escrevi:
"Este é o ano que muda a minha vida. Decidi! Este é o ano em que todo o meu potencial se cumpre. Não é uma decisão que eu faça todos os anos, até porque não sou grande fã de resoluções de ano novo, mas desta vez decidi que este ano vai ser o melhor de sempre. Razões? Quem precisa delas? Sempre olhei o ano novo por uma lupa negativista e pessimista, e nada de bom veio disso. Por isso, este ano decidi enfrentar o touro de frente, de cabeça erguida. Mudei de estratégia. Este é o meu ano. Este é o ano em que acabo o guião. Este é o ano em que entro em Medicina. Este é o ano em que tiro o sacana do 16 a Físico-Química e o 17 a Matemática. Este é o ano em que lhe digo o que me vai na cabeça. Este é o ano em que cumpro a minha promessa. Este É o ano. Se calhar estou a ser irrealista, mas pouco me importa. Se nada acontecer este ano, há sempre o próximo."
Portanto, vamos lá ver. Acabar o guião: nope. Entrar em Medicina: a confirmar dia 14 de Setembro, mas em princípio check (edit - CHECK mesmo :D). 16 a Físico-Química: check! (tive 18). 17 a Matemática: check! (tive 18). Dizer-lhe o que me vai na cabeça: nope (e já nem quero). Cumprir a minha promessa: nope (não há promessa, afinal). Resumindo, este ano está-me a ser simpático no foro profissional, e menos no emocional. Pesando tudo, e tendo em conta que faltam praticamente 5 meses para 2010, devo dizer que me está a correr tudo pelo melhor!
Ah, e outra novidade. Sou co-autora no blog O Que Dizes É Música, sítio de desabafos e críticas musicais. Conhecendo-me como me conhecem, sabem que os meus primeiros três posts hão-de ser sobre Final Fantasy, Beirut e Andrew Bird. E a seguir a esses só o futuro o sabe!
Peace out!
segunda-feira, 25 de Maio de 2009
Sweetbreads
Já alguma vez pensaram que aquilo que precisavam mesmo de fazer para mudar a vida era aproveitar o momento? Prioritarizar a vida de acordo com o Carpe Diem e viver no agora? Eu já; só que não sabia como fazê-lo. Hoje (24-05-2009) descobri.
Fui ao concerto de Andrew Bird no cinema São Jorge. Começou perto das 21h30 e durou algo como 2 horas. Duas horas essas que foram suficientes para alterar a minha percepção, talvez apenas temporariamente, e daí até talvez não. Pelo menos espero que esta clarividência continue comigo.
Sozinho em palco, descalço, acompanhado por um macaco de peluche e rodeado por 4 microfones, uns quantos pedais e uma engenhoca que só consigo descrever como uma bi-grafonola rotativa. Numa cadeira um violino, num suporte uma guitarra, e ao pé de um dos microfones um xilofone. Andrew Bird entrou em palco, pegou no violino e começou a tocar uma melodia, depois tocada em loop com a ajuda dos pedais e substituída no violino por outra melodia
suplementar. Carregar nos pedais com os sapatos calçados dificulta o trabalho, e estes são prontamente tirados e atirados para ao pé das colunas, ao pé do macaco de peluche que provavelmente cura a "home sickness". Melodias de violino sobrepostas entre si, e sobrepostas por sua vez com voz, assobios (damn, I wish I could whistle like Andrew Bird), guitarra e xilofone, tudo, tudo, tudo comandado por um homem que vale uma orquestra.
suplementar. Carregar nos pedais com os sapatos calçados dificulta o trabalho, e estes são prontamente tirados e atirados para ao pé das colunas, ao pé do macaco de peluche que provavelmente cura a "home sickness". Melodias de violino sobrepostas entre si, e sobrepostas por sua vez com voz, assobios (damn, I wish I could whistle like Andrew Bird), guitarra e xilofone, tudo, tudo, tudo comandado por um homem que vale uma orquestra.Entrou em silêncio, mas logo após a primeira canção, já descalço, disse timidamente "Hello... My name is Andrew... I'm from Chicago. Pleased to meet you.", uma apresentação que deu um toque de intimismo a um concerto já de consideráveis dimensões. O concerto continuou, seguiram-se histórias de sonhos sobre culinária francesa e sobre zombies, de homens perdidos no fundo do bar e de gigantes de Illinois.
Às vezes o meu cérebro desligava. Conscientemente não se passava nada, nem a música. Quando acordava do torpor, estava meia perdida no tempo, pensando "O que é que aconteceu nos últimos 5 minutos?". Depois lembrava-me. Nos últimos 5 minutos tinha sido eu. Apenas eu. Não havia sala do cinema S. Jorge, não havia senhora sobre-excitada ao meu lado, não havia teste de matemática, nem exames nacionais, nem Universidades. Havia eu. Eu e a música, eu e Andrew Bird. No meu subconsciente passava a música, o violino, o assobio; só isso e nada mais. Vivi o momento e fez-se luz. Vai soar a cliché, mas não importa se se fica um ano para trás, não importa se a vida corre mal ou bem, se se está ou não chateado, se correspondemos ou não às expectativas. Viver o momento é viver a vida, e é só isso que importa.
A música de Andrew Bird é verdadeiramente a matéria da qual os sonhos são feitos, e por me ter mudado (nem que seja ínfima e temporariamente) ficar-lhe-ei para sempre grata.
Peace out!
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